Ponto de Vista

quarta-feira, 14 de março de 2012 0 comentários

As minhas observações foram feitas no trajeto percorrido de volta à minha casa e no caminho de ida pra universidade. O vento é capaz de arrastar conversas que não deveriam ser ouvidas e amplificar sons que parecem despercebidos mas se algum deles for retirado você sente um erro na harmonia musical das coisas – a água escorrendo pelo meio-fio da calçada, engrenagens de automóveis e suspensão que geme, pássaros que tentam competir com a agitação do trânsito. Formigas fazem ninhos externos com palha seca e restos de grama assim como os pássaros. Atravessando a Avenida Aguanambi percebi que há pessoas morando debaixo do canal por ter vários varais com roupas estendidas neles. Há peixes vivendo no canal e são grandes, prova de que o que pra muita gente é um ambiente hostil e impróprio para viver, para muitos é a solução de sobreviver.  A cidade reúne uma porção de odores que compõem a paisagem dela mesmo não sendo vistos só sentidos, desde odor forte de urina acumulada e concentrada, embaixo do viaduto e nas paredes mais remotas, até a mistura que provém de restos de comidas criando um odor forte e intenso onde você distingue nitidamente o abacaxi e frutas podres, quem trabalha no lugar parece não se importar e percebi que tudo é uma questão de costume desde a feiura de uma pessoa até o cheiro forte e desagradável do lixo. À noite quando a linha do ônibus está perto de encerrar seu trajeto de volta, o motorista põe músicas de estilo flashback para serem tocadas, os rostos cansados das pessoas refletem um dia cansativo de trabalho e se deixam ser embaladas pela música, trazendo à mente lembranças e pensamentos vagos, quem sabe planos e reflexões pessoais, o sono insiste pedindo pra aproveitar aquele momento tranquilo, como uma prévia do que uma boa noite de sono promete ser. As luzes são diminuídas dentro do transporte púbico, um clima agradável se instala. Dai a importância de uma trilha sonora na nossa vida, com certeza se a música que estivesse tocando fosse outra o clima seria outro, talvez um suspense ou algo que antecede uma morte dramática e improvável. A convivência faz você enxergar seus amigos com outros olhos, olhos que não são percebidos pelos outros colegas e que são adquiridos com muito esforço e se tornam mais perfeitos para olhar as demais pessoas. Esse olho especial te mostra quando teu amigo está diferente, quando ele se comporta diferente, quando algo o incomoda. É além de dever social e parte do contrato de amizade você se interessar pela vida de quem você mais preza. O dia pode começar ruim, mas as pessoas que vão passar por você podem transformar todo o negativismo que começou seu dia, e converter em algo bom e no fim do dia você se sentir a pessoa mais feliz do mundo por estar ao redor de pessoas que te alegram e querendo ou não sem elas a vida não seria a mesma. O sorriso e o céu são perfeitos demais para terem aparecido por mero acaso, Deus está presente em tudo. Ouvi um amigo me dizendo que devemos ver o mundo com os olhos de uma criança, se o filho dele o visse flutuando na sala ele acharia massa, porém se a mãe dele o visse fazendo a mesma coisa, ela acharia que ele estava possuído ou coisa parecida. Da mesma forma são as cores, o caos colorido que tenta amenizar o concreto nem sempre é eficaz, mas sem eles você fica incomodado com a paisagem e suas lacunas coloridas.

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